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Quilometragem adulterada: como identificar ao trocar de carro?

A cada ano, a tecnologia desenvolvida pelas fabricantes de veículos avança um passo a mais em direção à garantia de segurança, conforto e desempenho dos carros lançados. Isso vem protegendo o consumidor de diversas formas — desde a inclusão de itens importantes, como airbags, entre os que vêm de série, até a troca de peças que antes eram analógicas e passaram a funcionar digitalmente, oferecendo mais comodidade aos motoristas.

Um exemplo disso, por mais simples que possa parecer, é o hodômetro, aparelho que mede a quilometragem rodada pelo veículo. Até meados dos anos 90, quando eles eram analógicos, era muito comum que vendedores de carros violassem o painel pra obter a quilometragem adulterada do carro.

Assim, um automóvel que já havia rodado mais de 100 mil quilômetros poderia ser vendido como se fosse seminovo, com menos de 40 mil quilômetros. O problema é que essa fraude influencia diretamente no preço cobrado pelo veículo. Pior que isso: trabalhando como motorista, certamente você rapidamente vai constatar que há mais peças com avarias do que esperava.

Com a troca para o hodômetro digital, esse golpe, bastante comum, passou a ser dificultado. Mas não se engane: ele ainda é praticado! A diferença é que o Código Penal, recentemente, passou a considerá-lo crime de estelionato. A boa notícia é que há algumas dicas que você pode seguir pra identificar se o carro teve a quilometragem adulterada. Vamos a elas?

Leitura da central eletrônica

Existem muitas formas de se verificar se houve adulteração da quilometragem, apenas olhando pro carro atentamente. Mas uma delas é infalível e, pra colocá-la em prática, vai ser necessário contar com um mecânico de confiança. Trata-se da leitura da central eletrônica. É como se você tivesse a capacidade de penetrar o cérebro do veículo.

Por meio de um scanner automotivo com capacidade de leitura de dados completa, você vai detectar se a quilometragem que aparece no mostrador do painel é a mesma registrada no cérebro do carro. Mas fique atento: só permita que esse scanner seja utilizado por pessoas que conhecem bem o processo. Do contrário, ele poderá apagar dados importantes do veículo.

Data do manual do veículo

Carros sem o manual devem ser evitados! Pode parecer exagero dizer isso, mas esse documento, muitas vezes negligenciado pelos proprietários, pode ser bastante útil — inclusive pra checar se a quilometragem foi adulterada. Como fazer isso? Basta procurar os carimbos das revisões feitas nas concessionárias, verificar as datas de manutenção preventiva e compará-las com as quilometragens indicadas, entre outros pontos.

Se não foram feitas revisões nas concessionárias, o recomendado é que você exija as notas fiscais das trocas de peças e serviços feitos em oficinas mecânicas. Nelas costuma constar a data e a quilometragem em que foram realizados. Também é possível fazer essa comparação a partir da checagem dos adesivos de trocas de óleo, muitas vezes esquecidos pelos golpistas.

Quer um exemplo prático? É simples: se houver algum documento indicando que foi feita a troca da correia dentada, então pode saber que o carro tem pelo menos 50 mil quilômetros rodados. Caso o veículo não tenha nada disso, é melhor procurar outro.

Desgaste geral do carro

Essa relação entre datas de trocas de peças e quilometragem em que elas são feitas é, normalmente, um dos melhores jeitos de descobrir se houve fraude. Dá trabalho, mas vale a pena fazer essa consulta. Por exemplo, se o veículo apresentado pelo vendedor estiver marcando 40 mil quilômetros no hodômetro, deve ter algumas peças, como volante, bancos, câmbio, pedais e laterais da porta em perfeito estado. É basicamente um carro novo! Nessa faixa, os pneus também devem ser originais e estão quase sem nenhum desgaste.

Se a bateria tiver sido trocada, a chave estiver com sinais de avarias, se não houver calotas originais no carro e se ele não tiver o manual, é quase impossível que a quilometragem seja tão baixa. Aliás, você só vai começar a ver sinais do tempo nos pedais, no volante e até na densidade da espuma do banco a partir dos 100 mil quilômetros rodados.

Troca de pneus

Aqui a avaliação também é minuciosa, mas depende, também, do quanto os donos do carro são cuidadosos. Os que têm os pneus calibrados constantemente, fazem balanceamento e alinhamento, sofrem menos desgaste, por exemplo. Mas, em geral, os pneus devem ser trocados entre 40 mil e 60 mil quilômetros. Ou seja, os veículos com essa quilometragem no painel devem estar com os originais.

Você pode descobrir isso verificando a data do pneu, formada por quatro números que aparecem após a sigla DOT — o ano de fabricação deve ser o mesmo do carro. Se for o segundo jogo de pneus, eles devem estar praticamente novos, pois não foram rodados, certo?

Sinais de violação do painel

Não é fácil mexer no painel de um veículo sem deixar rastros. Por isso, se você pretende comprar um carro pra aumentar os seus ganhos trabalhando como motorista, deve estar atento a esses sinais. Afinal, não vale a pena adquirir um veículo e ter de gastar boa parte do seu novo orçamento com manutenção, certo?

Se houver riscos, arranhões, ou avarias no plástico ou na moldura do painel, pode ser um sinal de que ele foi removido para adulteração da quilometragem do carro. Claro que você deve aliar essa checagem às outras dicas que demos aqui, mas esse pode ser considerado um indício de fraude. Se o marcador for analógico, você pode verificar se os números estão alinhados.

O golpe da quilometragem adulterada é um dos mais baixos e, infelizmente, mais comuns no mercado de compra e venda de seminovos. Principalmente entre os vendedores particulares. Quem passa o dia dentro de veículo e depende dele pra aumentar ganhos, deve estar muito atento pra não cair nessa fraude. Os prejuízos, no futuro, podem ser devastadores para o seu orçamento.

Agora que você já sabe tudo o que deve ser verificado pra não comprar um carro mais rodado do que você gostaria, que tal ler este outro artigo com dicas sobre qual o automóvel ideal para quem quer trabalhar como motorista? Aproveite a leitura e faça sempre um bom negócio!

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