A Uber mudou a forma de cobrar a taxa de serviço de parte dos motoristas do Brasil. Em vez de descontar uma fatia de cada corrida, a empresa cobra o Passe para Motoristas: você paga um valor fixo e, segundo a Uber, fecha a semana com 0% de taxa de serviço nas viagens cobertas.
Isso muda quem carrega o risco. Na taxa por corrida, a plataforma só recebia se você rodasse. Com o passe, você paga antes e precisa faturar o suficiente para a conta fechar. Este guia mostra onde o modelo vale, o que está nos termos oficiais e como fazer a conta antes de aceitar a primeira corrida do dia.
Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de um profissional qualificado. O passe é um contrato entre você e a plataforma; para dúvidas jurídicas sobre os termos, procure um advogado.
O que é o Passe para Motoristas
O Passe para Motoristas é uma assinatura que substitui a taxa de serviço descontada por viagem. Pelo comunicado da Uber, as viagens com passageiro cobertas pelo passe têm 0% de taxa de serviço no acumulado semanal. É o que o motorista chama de taxa zero da Uber: o custo da plataforma passa a ser o preço do passe.
Nas cidades participantes, é preciso manter um passe ativo para continuar dirigindo pelo app. Os Termos do Passe para Motoristas tratam o modelo como taxa de assinatura obrigatória para viagens de moto e/ou automóvel, conforme a disponibilidade de cada cidade.
Entregas e Envios podem ficar de fora. A lista de viagens incluídas na sua conta aparece no app Uber Driver, em Menu → Passe para Motoristas.
Em quais cidades o passe está valendo
O passe chegou às motos de cidades selecionadas em 30 de março de 2026, segundo a GZH, e aos carros em 25 de maio, em 12 cidades, conforme o Diário do Nordeste. Na lista oficial da Uber atualizada em outubro de 2026, o modelo está assim:
- Moto: todas as cidades onde a Uber opera no Brasil.
- Carro: 31 cidades: Arapiraca, Boa Vista, Botucatu, Bragança Paulista, Caruaru, Cascavel, Chapecó, Criciúma, Divinópolis, Feira de Santana, Ilhéus, Imperatriz, Itabuna, Joinville, Juiz de Fora, Macapá, Marabá, Maringá, Marília, Palmas, Petrópolis, Ponta Grossa, Porto Velho, Presidente Prudente, Rio Branco, São José do Rio Preto, Teresina, Uberaba, Uruguaiana, Vitória e Vitória da Conquista.
Sete capitais estão na lista do carro: Boa Vista, Macapá, Palmas, Porto Velho, Rio Branco, Teresina e Vitória. São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Fortaleza, Recife, Curitiba e Porto Alegre seguem fora. Quem dirige carro nessas cidades continua no modelo de taxa por viagem.
Se você viaja a trabalho, uma regra da Uber evita confusão: com um passe ativo, as viagens cobertas continuam valendo em outra cidade, mesmo onde o modelo não existe. Já quem não comprou passe, por rodar fora das cidades participantes, segue no modelo tradicional ao dirigir numa delas.
Atenção: a lista muda. Antes de planejar o turno pela informação de um grupo de WhatsApp, abra Menu → Passe para Motoristas no app Uber Driver e confira o que vale na sua cidade.
A 99 seguiu o mesmo caminho com o Pacote Taxa Zero, também obrigatório nas cidades onde entrou. Para comparar as duas plataformas nesse cenário, veja Uber ou 99: qual paga mais.
Passe por tempo e passe por ganhos
O modelo tem duas modalidades, e a escolha define quanto do seu faturamento vai para a plataforma.
| Passe por tempo | Passe por ganhos | |
|---|---|---|
| Validade | 24 ou 72 horas corridas, a partir da ativação | Até atingir o teto de ganhos ou 180 dias, o que vier primeiro |
| Limite de faturamento | Sem limite durante a validade | Termina ao bater o valor predefinido |
| Indicação da Uber | Quem dirige mais horas no dia | Quem dirige de vez em quando |
No passe por tempo, o relógio corre mesmo com o app desligado. A Uber informa que o passe não altera os limites de tempo online e que a validade continua contando durante as pausas obrigatórias. Por isso o passe de 24 horas não rende 24 horas de corrida: a GZH registra o limite de 12 horas conectado por dia, e foi essa a principal crítica do sindicato de motoristas ouvido pela reportagem em Uruguaiana.
No passe por ganhos, o prazo de 180 dias funciona como validade máxima. Ao bater o teto, você continua dirigindo, e a Uber cobra o passe padrão de novo na próxima viagem com passageiro.
Quanto custa o passe
A Uber não publica tabela. Segundo o comunicado, o preço varia por cidade e por categoria (UberX, Black e outras) e considera as viagens que você fez em cada categoria nos últimos 14 dias. Quem começa a rodar numa categoria nova precisa continuar nela para o valor ser recalculado depois desse período. Os termos permitem que a Uber mude os preços a qualquer momento, sem afetar o passe que já está ativo.
Como o preço é individual, valor de grupo só ajuda a entender o formato. Nas primeiras cidades, os exemplos que circularam entre motoristas falavam em R$ 35 pelo passe de 24 horas e R$ 94 pelo de 72 horas, segundo a GZH. Em Vitória, o presidente do Sindicato dos Motoristas de Aplicativo do Espírito Santo relatou ao Século Diário uma oferta de R$ 127 para um teto de R$ 600 em ganhos, enquanto um colega recebeu opção com teto de R$ 1.710. Nenhum desses números é tabela oficial. O seu aparece em Menu → Passe para Motoristas → Escolha seu passe.
Como o passe é ativado e cobrado
O passo a passo oficial tem quatro etapas:
- Confira as opções. Abra Menu → Passe para Motoristas e veja os passes e preços disponíveis para você.
- Escolha o passe. A opção escolhida vira o seu passe padrão. Se você não escolher nenhuma, o app seleciona uma automaticamente.
- Faça a primeira viagem. A primeira viagem com passageiro ativa o passe, e o valor sai da Carteira Uber. Sem saldo suficiente, a cobrança é descontada dos ganhos das próximas viagens.
- Renovação automática. Quando o passe termina, o padrão é ativado de novo na próxima viagem com passageiro. Para trocar, escolha outra opção antes da próxima ativação; a mudança não altera o passe em uso.
Atenção: pelos termos, ao aceitar uma viagem sem passe ativo você concorda com a compra automática do passe indicado no banner antes de ficar online. O passe vale desde o início dessa viagem, e a taxa sai da Carteira quando ela termina. Se a ideia é rodar meia hora, confira o banner antes de aceitar a primeira chamada.
As regras dos termos que pesam no bolso
Os termos oficiais têm outras cláusulas que mudam a conta:
- Não pode pausar. Uma vez ativado, o passe não pode ser pausado nem suspenso.
- Expira e não volta. Ao atingir o limite de tempo ou de ganhos, o passe expira na hora e não pode ser reativado, nem para ajustes posteriores à viagem.
- Não é reembolsável. Passe não usado não é transferível nem devolvido.
- Conta desativada não devolve. Se a sua conta for desativada com o passe ativo, não há reembolso.
- Não garante corrida. Comprar ou ativar o passe não garante volume mínimo nem contínuo de viagens, que variam com sazonalidade, horário, trânsito e clima.
- Outras taxas seguem iguais. O passe não altera valores de cancelamento, espera e pedágio.
Como funciona a taxa de 0% semanal
A taxa zero é calculada na semana, não corrida a corrida. Por isso o recibo de uma viagem, no campo "Detalhamento do preço pago pelo usuário", ainda pode mostrar:
- Valor pago à Uber: naquela corrida, parte do preço pago pelo passageiro ficou com a plataforma.
- Ajuste de ganhos: naquela corrida, você recebeu mais do que o passageiro pagou, e a Uber completou a diferença.
No fechamento da semana, a Uber soma os dois. Se ainda sobrar valor pago à plataforma, o estorno cai até a terça-feira seguinte e aparece como "Passe para Motoristas — Ajuste para Taxa 0% semanal" na Carteira Uber ou no resumo semanal de ganhos. Se os ajustes já compensaram as cobranças, não há estorno naquela semana.
Para conferir, siga Ganhos → Detalhamento do preço pago pelo usuário → Consulte o resumo semanal. O resultado do passe se lê na semana inteira, não no recibo de cada viagem. Na 99, a página do Pacote Taxa Zero informa que a devolução da comissão cobrada a mais cai toda segunda-feira, a partir das 7h.
Como funciona a cobrança sem o passe
Para medir o tamanho da mudança, vale lembrar como a Uber desconta a taxa fora das cidades do passe. A página de preços da Uber define a taxa de serviço como o valor que sobra do preço pago pelo passageiro depois das promoções, dos ganhos do motorista, das taxas de terceiros e dos tributos. Pedágio e cobrança de aeroporto não ficam com a plataforma, e a gorjeta fica toda com você.
Sem o passe, você não paga um valor fechado de plataforma. Paga uma fatia de cada corrida, e essa fatia mudava de viagem para viagem. O passe troca essa fatia por um custo fixo no período: você deixa de pagar proporcional ao que rodou e aposta que vai rodar o suficiente para o passe sair mais barato que a soma das taxas.
Se quiser a foto completa de quanto cada app desconta hoje, está em taxas dos principais apps para motoristas.
Vale a pena? A conta que você precisa fazer
O passe é uma aposta na sua própria produtividade, e a regra cabe em uma linha:
O passe compensa quando a taxa de serviço que você pagaria nas corridas daquele período é maior que o valor fixo do passe.
A taxa da Uber varia viagem a viagem, então não adianta usar um percentual de internet. Puxe o extrato de uma semana comum, some quanto foi para a plataforma e divida pelo faturamento bruto. Essa é a sua taxa média real, e é ela que entra na conta.
Depois, transforme o passe em percentual:
- Passe por ganhos: divida o preço pelo teto. Na oferta relatada em Vitória, R$ 127 para R$ 600 de teto dá 21% (127 ÷ 600). Se a sua taxa média fica acima disso, o passe sai mais barato; se fica abaixo, sai mais caro.
- Passe por tempo: divida o preço pelo que você realmente espera faturar na janela, já descontando as horas de pausa obrigatória. Quanto menos você roda dentro da validade, maior fica esse percentual.
Quem trabalha período integral, em horários de pico e com boa demanda, tende a se beneficiar do passe por tempo. Quem roda poucas horas ou de forma irregular para complementar renda precisa olhar o passe por ganhos com a mesma conta, porque o teto pode representar uma fatia grande do faturamento. Se você ainda não tem clareza de quanto fatura por turno, revise os ganhos médios de motorista de app antes de escolher a modalidade.
Como decidir no dia a dia
Três perguntas antes de ficar online resolvem a maior parte das dúvidas:
- Quantas horas você vai rodar hoje, de verdade? Turno cheio em horário bom pesa a favor do passe por tempo. Para pegar uma ou duas corridas, o passe de 24 horas dificilmente se paga.
- Como está a demanda da sua cidade agora? Sem corrida, o passe vira prejuízo. Dia de evento, pico e sexta à noite pesam a favor. Segunda de manhã chuvosa pesa contra.
- Qual passe está como padrão? É ele que será cobrado na primeira viagem aceita. Se a rotina mudou, troque antes de ficar online.
No passe por ganhos, vale acompanhar quanto falta para o teto. Quando ele estiver perto do fim, a próxima viagem depois de bater o limite já ativa um novo passe padrão.
O que esperar daqui para frente
Em agosto de 2026, o Ministério Público do Trabalho entrou com uma ação civil pública que pede a suspensão nacional do passe e a devolução dos valores cobrados. Em outubro, a Uber seguia listando o passe nas cidades participantes.
Na moto, o passe já é a forma de cobrança da Uber em todo o país, e a 99 adotou lógica parecida nas cidades onde entrou. No carro, a lista saiu de 12 cidades em maio para 31 em outubro, já com uma capital do Sudeste, Vitória.
Antes da próxima corrida, abra a aba do passe, anote o preço e o teto oferecidos e compare com a taxa média do seu extrato. Se o passe sair mais caro que essa taxa, você já sabe qual modalidade evitar.


