Quais despesas o motorista de app pode deduzir no IR?

Como motorista de aplicativo pessoa física, você pode ter deduções por contribuição ao INSS, dependentes e pensão alimentícia, conforme as regras de cada uma. Combustível, manutenção, seguro e IPVA não entram como despesas de Livro-Caixa dos rendimentos de transporte. Gastos pessoais elegíveis com saúde e educação podem entrar na declaração anual, em outra etapa do cálculo.

Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de um profissional qualificado. Consulte um contador para apurar rendimentos, conferir deduções ou regularizar declarações.

O que pode reduzir o Carnê-Leão e a declaração anual

A Receita Federal, na orientação sobre deduções do Carnê-Leão, permite contribuição previdenciária oficial, dependentes e pensão alimentícia nas condições legais. Não use no Carnê-Leão uma dedução já aproveitada sobre rendimento sujeito à retenção na fonte.

Despesa ou deduçãoNo Carnê-Leão mensalNa declaração anual com deduções legais
Contribuição previdenciária oficialAdmitida nas condições legaisAdmitida nas condições legais
DependentesDedução por dependente, com limiteDedução por dependente, com limite
Pensão alimentíciaQuando atender aos requisitos legaisQuando atender aos requisitos legais
Saúde e educaçãoNão são deduções dessa apuraçãoApenas gastos elegíveis e comprovados; educação tem limite
Gastos com o carro no transporteSem dedução pelo Livro-Caixa do transporteSem dedução pelo Livro-Caixa do transporte

A pensão alimentícia precisa decorrer de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública admitida pela legislação. Transferir dinheiro para um familiar, por si só, não basta.

O Manual da Receita sobre despesas dedutíveis detalha os pagamentos de saúde e educação aceitos e suas condições. Guarde documentos que identifiquem prestador, pagador, beneficiário e valores; nem todo gasto dessas áreas é dedutível.

Na declaração anual, compare deduções legais e desconto simplificado. O simplificado substitui as deduções legais: você não soma os dois benefícios. Para o cálculo mensal, confira também a opção de desconto simplificado na tabela de tributação de 2026.

Como funciona a regra dos 60% para passageiros

Para quem presta transporte de passageiros como pessoa física, a Receita define no mínimo 60% do rendimento bruto como tributável. Quando os rendimentos vêm de pessoa física ou do exterior, confira a apuração mensal conforme a orientação de rendimentos sujeitos ao Carnê-Leão.

Em um exemplo com R$ 8.000 de rendimento bruto mensal enquadrado nessa regra:

  • R$ 4.800 correspondem à parcela mínima tributável, antes das deduções permitidas.
  • Até R$ 3.200 correspondem à parcela isenta de 40%.

Os R$ 4.800 não são o imposto a pagar. O cálculo ainda considera as deduções ou o desconto cabível, a tabela progressiva e a redução do imposto aplicável ao período.

O Manual da Receita sobre rendimentos do trabalho explica uma restrição: a parcela isenta de até 40% é presumida consumida e não justifica acréscimo patrimonial. Não trate esse valor como lucro livre para justificar a compra de um bem.

Confira os demonstrativos das plataformas, as corridas em dinheiro e a identificação da fonte pagadora com seu contador. O saldo que caiu na conta, sozinho, não substitui essa conferência. O guia de Imposto de Renda para motorista de app detalha a organização dos rendimentos e a diferença entre ano-calendário e ano da declaração.

Por que combustível e manutenção não entram no Livro-Caixa

A proibição alcança os rendimentos de transporte. Ela não muda porque você guardou todas as notas ou gastou mais de 40% do bruto com o carro.

Na pergunta 450 do Perguntas e Respostas IRPF 2026, a Receita esclarece que o transportador de passageiros não pode usar o Livro-Caixa para tributar menos que a parcela mínima de 60%. Isso não impede as deduções pessoais permitidas na etapa seguinte do cálculo.

A orientação de deduções do Carnê-Leão também lista combustível, estacionamento, manutenção, seguro e IPVA como despesas não dedutíveis no Livro-Caixa. A exceção citada para representante comercial autônomo não libera o motorista de aplicativo a deduzir os custos do transporte.

Como deduzir INSS sem lançar duas vezes

Guarde os comprovantes da contribuição previdenciária oficial e use o campo próprio dessa dedução. A Receita orienta não lançar a contribuição do próprio contribuinte no Livro-Caixa, pois ela já tem tratamento separado no Carnê-Leão.

Confira se o valor já foi usado em rendimento sujeito à retenção na fonte antes de incluí-lo na apuração mensal. Se você também tem MEI, confira com o contador quais contribuições pertencem à pessoa física antes de preencher a declaração.

O guia de INSS para motorista de app explica as formas de contribuição. Já o de MEI para motorista de aplicativo ajuda a separar obrigações do CNPJ e rendimentos do titular.

Organize os comprovantes sem confundir custo e dedução

Mantenha um fechamento por mês com:

  1. Demonstrativos de cada plataforma e registros das corridas em dinheiro.
  2. Comprovantes de contribuição previdenciária e de imposto pago, quando houver.
  3. Documentos de dependentes e de pensão alimentícia, se aplicáveis.
  4. Comprovantes dos gastos de saúde e educação para a declaração anual.
  5. Notas e registros dos custos do carro, em um controle financeiro separado.

Use o último grupo para calcular quanto sobra depois de combustível, manutenção e demais gastos. Esses registros ajudam no planejamento do trabalho, mesmo sem abatimento pelo Livro-Caixa.

Antes de lançar uma dedução, confira a previsão legal, o comprovante e a etapa do cálculo em que ela cabe. Leve as dúvidas ao contador junto com os demonstrativos e os documentos do mês.