O PLP 152/2025 é uma das propostas mais importantes em discussão para motoristas de Uber, 99 e outras plataformas. Mas há um cuidado básico: ele não deve ser lido como lei já em vigor.

Em julho de 2026, o substitutivo tem parecer do relator aprovado e está pronto para votação na Comissão Especial. A reunião marcada para 14 de abril foi cancelada e nenhuma nova data foi confirmada. Na prática, o projeto não alterou nada para nenhum motorista.

Este guia separa o que está proposto, o que ainda depende de votação e o que o motorista pode fazer agora sem cair em boato de grupo.

Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de um profissional qualificado. Para decisões jurídicas, procure um advogado; para decisões fiscais, contábeis ou previdenciárias, consulte um contador.

Status do PLP 152/2025 em julho de 2026

Em 7 de abril de 2026, o relator Augusto Coutinho recomendou a aprovação do projeto na forma do substitutivo. O projeto ficou "pronto para pauta" na Comissão Especial.

A votação marcada para 14 de abril foi cancelada. Sindicatos de entregadores e representantes das plataformas pressionam por ajustes no texto, especialmente nos valores de piso de remuneração e nas obrigações das empresas. Em julho de 2026, nenhuma nova data foi confirmada.

Em 15 de julho, a Comissão de Assuntos Sociais do Senado realizou uma audiência pública sobre regulamentação e segurança no trabalho por aplicativos. O debate reuniu trabalhadores, empresas, governo e especialistas, mas não votou o PLP 152/2025 nem criou regra nova. A ficha da Câmara continua mostrando o projeto pronto para pauta na comissão especial.

O dado prático é este: enquanto o projeto não for aprovado no Congresso, sancionado e publicado como lei, ele não muda automaticamente a relação entre motorista e plataforma.

Se alguém disser que "a Uber já é obrigada" ou que "a 99 já tem que descontar INSS por causa do PLP 152", desconfie. Pode estar previsto em proposta, mas proposta não é norma vigente.

O que o projeto tenta regular

O PLP 152/2025 discute um marco para trabalho intermediado por plataformas digitais. Para motorista de app, isso pode envolver:

  • remuneração mínima ou critérios de ganho;
  • contribuição previdenciária;
  • regras de transparência;
  • proteção contra bloqueios sem justificativa;
  • contrato entre plataforma e trabalhador;
  • limites de jornada ou descanso;
  • fiscalização do poder público;
  • obrigações específicas das empresas.

O ponto sensível é que o texto pode mudar durante a tramitação. Parecer, substitutivo, destaque e votação podem alterar trechos importantes. Por isso, o artigo precisa falar em "proposta", não em "direito garantido".

O que ainda não mudou para Uber e 99

Até a aprovação final, o motorista deve tratar estes pontos como debate legislativo, não como regra vigente:

  • limite obrigatório de taxa da plataforma;
  • desconto automático de INSS feito pelo app;
  • piso mínimo por hora;
  • revisão humana obrigatória em todos os bloqueios;
  • obrigação legal nova de relatório algorítmico;
  • prazo padronizado de defesa em bloqueio;
  • regra nacional nova para entregadores.

Isso não significa que essas ideias sejam irrelevantes. Significa que elas ainda precisam passar pelo processo legislativo para virarem obrigação.

O que o substitutivo propõe de remuneração mínima

O substitutivo define piso de remuneração para entregas, em duas modalidades:

  • Por serviço: mínimo de R$ 8,50 para trajetos de até 3 km (carro) ou 4 km (moto, bicicleta ou a pé).
  • Por tempo: valor proporcional a dois salários-mínimos por hora efetivamente trabalhada, contada do aceite da entrega até a entrega final.

O texto passou pelo relator, mas a votação não aconteceu. Destaques na Comissão podem alterar esses valores antes do texto final.

Taxa máxima da plataforma: cuidado com promessa de teto

Um teto obrigatório de retenção para as plataformas está em discussão, mas não foi definido em texto final aprovado.

Enquanto não houver lei aprovada, o motorista não deve contar com um teto legal novo no planejamento de renda. O que dá para fazer hoje é acompanhar o valor líquido por corrida, comparar Uber e 99 e calcular custo por quilômetro.

Se o PLP ou seu substitutivo aprovar um teto de retenção, o impacto será relevante. Mas a conta só deve entrar no planejamento depois de existir texto final.

INSS e previdência: proposta não é desconto automático hoje

Outro ponto sensível é a contribuição previdenciária. A discussão sobre motoristas por aplicativo costuma envolver uma base de cálculo reduzida, porque parte relevante do faturamento vira combustível, manutenção, seguro e depreciação.

Mas o motorista não deve assumir que a Uber ou a 99 já recolhem INSS automaticamente por causa do PLP 152/2025. Isso depende de aprovação legal, regulamentação e implementação pelas plataformas.

Até lá, quem quer se proteger precisa olhar sua situação atual: contribuição individual, MEI quando aplicável ao tipo de atividade, orientação contábil e planejamento previdenciário. Para começar pela operação, veja também o guia de ganhos médios de motorista.

Bloqueios e transparência: o que acompanhar

Um dos temas mais importantes para motorista é bloqueio de conta. Na prática, perder acesso ao app pode derrubar a renda de uma semana ou de um mês.

O projeto discute mais transparência, justificativa e regras para decisões de plataforma. Esse é um ponto que merece atenção porque afeta:

  • bloqueio definitivo;
  • suspensão temporária;
  • revisão de documentos;
  • reconhecimento facial;
  • notas e denúncias;
  • critérios de distribuição de chamadas;
  • acesso a histórico de corridas e ganhos.

Mesmo sem lei nova, guarde evidências. Prints de notificações, e-mails, protocolo de suporte, extrato de corridas e histórico de avaliações ajudam em qualquer contestação.

Hora logada, hora trabalhada e jornada

Outra diferença importante é entre hora logada e hora efetivamente trabalhada.

  • Hora logada: tempo com app aberto, disponível para chamadas.
  • Hora trabalhada: tempo em corrida ou em deslocamento relacionado à corrida, dependendo da definição final do texto.

Qualquer piso por hora depende dessa definição. Se o cálculo considerar só tempo com passageiro ou deslocamento aceito, a renda por hora logada pode continuar baixa em dias fracos. Por isso, o motorista deve continuar medindo o próprio ganho por hora real, não apenas esperar uma fórmula legal.

Entregadores entram na mesma discussão?

O debate sobre plataformas costuma misturar transporte de passageiros e entregas. Mas motorista de carro, motociclista de entrega e entregador de bicicleta têm custos e riscos diferentes.

Antes de aplicar uma regra a iFood, Rappi, Keeta, Uber Flash ou 99Entrega, confira o texto final. Pode haver diferenças por modalidade, tipo de plataforma e definição jurídica de trabalhador por plataforma.

Para quem roda de moto, a prioridade continua sendo segurança e custo real por entrega. Veja também o guia de segurança para motociclistas.

O que o motorista deve fazer agora

Enquanto o PLP tramita, o melhor caminho é prático:

  1. Acompanhe a ficha oficial na Câmara.
  2. Não conte como renda algo que ainda não virou lei.
  3. Guarde extratos de Uber, 99 e outros apps.
  4. Calcule ganho líquido, não só bruto.
  5. Controle custo por km.
  6. Registre bloqueios, suspensões e protocolos.
  7. Evite decisões grandes, como trocar de carro, com base em regra ainda não aprovada.

Se você quer entender se a operação está valendo a pena hoje, leia quanto ganha um motorista de app e compare com seus números reais.

Como acompanhar a votação

Use a página oficial do PLP 152/2025 na Câmara dos Deputados. Ela mostra:

  • tramitação;
  • documentos;
  • pareceres;
  • requerimentos;
  • comissões;
  • pauta;
  • inteiro teor dos textos.

Quando houver votação, o que importa é o texto aprovado, não manchete solta. Em projeto desse tamanho, uma mudança de parágrafo pode alterar INSS, taxa, jornada e obrigação das plataformas.

Conclusão

O PLP 152/2025 pode mudar a vida de motoristas de aplicativo, mas ainda não deve ser tratado como regra em vigor.

Para o motorista, a postura correta é acompanhar a tramitação, guardar registros e manter a conta financeira de hoje funcionando. Se o projeto avançar, aí sim será hora de recalcular taxa, INSS, jornada e direitos com base no texto final aprovado.