O Move Brasil financia carro novo para motoristas de aplicativo e taxistas em condições definidas pelo governo. A adesão começa no gov.br, mas a liberação do dinheiro depende de uma segunda etapa no banco.

A regra de entrada mudou em setembro. A Lei 15.503, sancionada em 14 de setembro de 2026, substituiu as medidas provisórias que sustentavam o programa. Na mesma data, o MDIC informou que a nova regulamentação reduziu de 12 para 6 meses o tempo mínimo de cadastro na plataforma. A exigência de 100 corridas não mudou.

Aviso: este guia é informativo e não substitui orientação profissional. Leia o contrato antes de assinar e, se tiver dúvida sobre alguma cláusula, consulte um advogado.

Quem pode pedir o Move Brasil

O motorista de aplicativo precisa cumprir os dois critérios abaixo na mesma plataforma:

  • cadastro ativo há pelo menos 6 meses, contados até a data do pedido no gov.br;
  • no mínimo 100 corridas realizadas nesse período.

Você não pode somar corridas da Uber, da 99 ou de outro aplicativo. A plataforma precisa estar credenciada no programa; empresas além de Uber e 99 podem participar se fizerem a adesão. Quem roda de mototáxi por aplicativo também pode pedir, desde que financie um carro zero e cumpra os mesmos critérios.

Para taxistas, a FAQ do MDIC exige registro ativo e pedido de isenção de IPI feito nos últimos dois anos. Motoristas de cooperativas de táxi permissionárias ou concessionárias também podem participar.

O programa é exclusivo para pessoa física. Empresas não contratam por ele, e o limite é de um carro por CPF.

Quem foi recusado pela regra antiga pode pedir de novo

O MDIC informa que quem teve a habilitação rejeitada, ou deixou de pedir por não ter 12 meses de cadastro, pode fazer uma nova solicitação no gov.br com a regra de 6 meses.

Como se inscrever no Move Brasil pelo gov.br

  1. Abra o serviço oficial Solicitar adesão ao Move Brasil Táxi e Aplicativos.
  2. Toque em Iniciar e entre com sua conta gov.br. Qualquer nível de conta (bronze, prata ou ouro) serve.
  3. Autorize a análise dos dados necessários para verificar os critérios.
  4. Acompanhe o pedido na plataforma do programa.
  5. Se aparecer como elegível, consulte as instituições financeiras participantes e peça a análise do financiamento.

A adesão é gratuita. A FAQ, atualizada em 15 de setembro, informa resposta em até 10 dias úteis, pela caixa postal do gov.br e por WhatsApp. A página do serviço ainda mostra cinco dias úteis na etapa de validação; conte com o prazo maior. Enquanto o pedido estiver em análise, não é preciso revogar nem refazer o cadastro.

Não pague despachante, taxa de cadastro ou intermediário para realizar essa etapa. Faça o cadastro só com a conta gov.br, na plataforma oficial do programa.

Quais documentos entram no cadastro

A adesão não exige envio de documentos: a autorização permite consultar os dados necessários para verificar a participação. Os bancos parceiros recebem a confirmação do cadastro aprovado, mas cada instituição pode pedir os documentos que julgar necessários para contratar o crédito.

Se a plataforma informar que você não atende aos critérios, peça ao aplicativo o seu relatório de corridas. Quando houver erro, a plataforma deve reenviar a informação corrigida ao governo. Para alterar um pedido preenchido de forma errada, a FAQ orienta revogar a manifestação e fazer outra solicitação.

Elegibilidade não significa crédito aprovado

O resultado do gov.br só diz se você atende às regras do Move Brasil. O banco analisa seu histórico financeiro e sua capacidade de pagamento antes de liberar o contrato, e pode negar o crédito mesmo para quem foi considerado elegível.

Segundo o MDIC, o Fundo Garantidor para Investimentos (FGI) cobre 80% de cada operação, limitado a 30% da carteira do banco. A garantia reduz o risco do banco, mas a decisão de emprestar continua com ele. Na proposta, compare o custo efetivo total, o valor da parcela e as demais condições, além da taxa anunciada pelo programa.

Carros aceitos e limite de R$ 200 mil

O teto é de R$ 200 mil pelo valor da nota fiscal, já com eventuais descontos. Entram carros novos movidos a etanol, flex, elétricos e híbridos, desde que a versão esteja na lista de bens financiáveis do MDIC, atualizada em 8 de setembro.

A lista identifica cada item pelo código MMV, com montadora, modelo, versão e combustível. Confira a versão exata antes de fechar a compra: estar abaixo de R$ 200 mil não basta se a versão não aparecer como elegível.

A lei e a resolução do CMN tratam só de veículos novos. Seminovo não entra nessa linha de crédito.

Juros, prazo e carência

O Conselho Monetário Nacional define os encargos na Resolução CMN 5.304, ajustada à nova lei pela Resolução 5.341, de 14 de setembro. Os limites vigentes são:

CondiçãoLimite
Juros para homensaté 0,99% ao mês (12,6% ao ano)
Juros para mulheresaté 0,91% ao mês (11,5% ao ano)
Prazoaté 84 meses, com a carência incluída
Carência do principalaté 6 meses
Valor do carroaté R$ 200 mil

Atenção: notícias sobre a regulamentação citam juros de 2,5% ao ano, ou 1,5% para mulheres. Esse percentual remunera só a fonte de recursos. A resolução acrescenta até 1,25% ao ano para o BNDES e até 8,5% ao ano para o banco e manda multiplicar os fatores, sem somar os percentuais: 1,025 × 1,0125 × 1,085 dá cerca de 12,6% ao ano. O MDIC informa a mesma taxa, já com spread e taxas bancárias.

A carência vale para o principal, e a resolução proíbe capitalizar os encargos nesse período. Confirme na proposta como os juros da carência serão cobrados. O banco pode cobrar outros encargos usuais previstos em contrato, mas não pode cobrar tarifa de cadastro. A lei também permite amortização variável, com parcelas iniciais e finais diferentes, e obriga o banco a informar as opções disponíveis.

O prazo de 84 meses e o teto de R$ 200 mil vieram da decisão do CMN de 27 de agosto, divulgada pelo MDIC no dia seguinte. Se encontrar 72 meses ou R$ 150 mil em alguma página, a informação é anterior a essa mudança.

A Resolução 5.341 também revogou o artigo que limitava essas condições aos contratos fechados até o prazo da medida provisória. Agora os financiamentos dependem de disponibilidade orçamentária, dentro do limite de até R$ 30 bilhões autorizado pela lei.

Financiar ou continuar com carro alugado

A parcela não representa o custo completo do carro. Some seguro, manutenção, pneus, documentação, depreciação e períodos em que o veículo fica parado.

O financiamento pode fazer sentido para quem pretende continuar por vários anos e mantém reserva para despesas do veículo. Com o aluguel, você assume menos compromisso de longo prazo, mas paga pela flexibilidade e segue as regras da locadora. Compare os dois cenários no guia sobre aluguel de carro para Uber e 99.

Antes de escolher o banco, confira se ainda estão abertas as campanhas de cashback da Uber com o Banco do Brasil e da 99 com a Caixa. As exigências são diferentes e cada campanha tem prazo próprio.

Erros que atrasam ou travam o pedido

  • somar corridas de plataformas diferentes;
  • pedir antes de completar 6 meses de cadastro na plataforma;
  • iniciar uma proposta antes de conferir se a versão do carro está na lista oficial;
  • interpretar elegibilidade como aprovação de crédito;
  • aceitar cobrança de terceiros para fazer o cadastro;
  • omitir o custo total do financiamento na comparação com aluguel.

Abra o serviço oficial, confira o relatório da plataforma e guarde o resultado da elegibilidade. Só escolha carro e banco depois de confirmar as condições atuais na proposta.